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Os consumidores europeus estão a comprar cada vez mais calçado. Em 2005, o consumo aparente terá chegado aos 2400 milhões de pares, mais 23,2% do que em 2003.


Os consumidores europeus estão a comprar cada vez mais calçado. Em 2005, o consumo aparente terá chegado aos 2400 milhões de pares, mais 23,2% do que em 2003.

Relativamente a 2004, o crescimento também é significativo ascendendo a 11,2%. Esse aumento do consumo está a ser, no entanto, preenchido pelas importações, principalmente asiáticas. Segundo dados do Eurostat, as importações europeias terão aumentado em 2005 mais de 16% (estimativa, com base nos dados dos primeiros oito meses do ano). Com efeito, a China continua a ganhar quota de mercado na Europa e, em 2005, terá aumentado as vendas para o Velho Continente em mais de 50%. O maior crescimento regista-se, ao nível, do segmento de couro (crescimento superior a 200%), com uma diminuição do preço médio na ordem dos 28%. Este factor levou mesmo as associações europeias do sector, no âmbito da CEC (Confederação Europeia da Indústria de Calçado) a requererem à Comissão Europeia o levantamento de um processo anti-dumping.

De um modo geral, os dados do Eurostat sugerem que os europeus aumentaram o consumo médio de calçado per capita, ainda que tenham diminuído o preço médio do calçado adquirido, já que a redução do preço médio do calçado importado supera os seis pontos percentuais.

Pior, está o sector produtivo. Espanha, França e Itália foram, em 2005, particularmente afectados pela concorrência internacional e sofreram quebras abruptas em termos de produção e exportação. Já a indústria portuguesa de calçado, com bases dos dados do INE (Instituto Nacional de Estatística) referente aos primeiros dez meses do ano, terá tido um desempenho muito próximo do ano anterior.

Em Espanha, as exportações decresceram 11% para 1454 milhões de euros. Já as importações superavam em Outubro os 220 milhões de pares, no valor de 1208 milhões de euros, o que constitui um aumento de 31% em volume e 21% em valor.

A indústria italiana, por sua vez, continua a viver momentos conturbados. A produção e as exportações registaram quebras próximas dos 10%, enquanto que as importações aumentam em catadupa, uma situação que levou Rossano Soldini a decretar ?o estado de emergência no sector?. De tal modo, que o Presidente da ANCI (Associação Italiana dos Industrias de Calçado) aguarda por ?uma tomada de posição urgente da Comissão Europeia quanto ao dossier anti-dumping contra a China e o Vietname?.

Em França a situação não é melhor, ao ponto de os principais indicadores da indústria francesa de calçado se terem agravado em 2005. A produção baixou 19% depois de já se ter reduzido de 12% em 2004, o volume de negócios foi reduzido em 9% depois da baixa de 6% em 2004 (1,3 mil milhões de euros). Já o emprego baixou 19% (13300 pessoas em 2004) e as importações terão ultrapassado os 372 milhões de pares em 2005.

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